Um resumo razoável em vídeo

Rádio Matraca - Especial Festival de Iacanga

. . Matéria em setembro de 2010.   Por Laert Sarrumor. Muito bacana!

quinta-feira, janeiro 24, 2008

Depoimento da Amarilis

O 1o.Festival de Águas Claras Segundo Amarilis (1975) Tudo começou em meados de 1974 num papo à mesa de jantar na casa do Leivinha, ele "viajava" na idéia de fazer uma festa na fazenda de seu pai, o saudoso "seu" Toninho, conhecida na região de Iacanga, mais precisamente em Reginópolis, como "Sta. Virgínia", em homenagem à Virginia Márcia, irmã do Leivinha, e minha querida amiga. O que germinou como um encontro para os trabalhadores da fazenda e o pessoal da região, algo assim como baile com muita música pra dançar e churrasco à vontade, em poucos meses tomou dimensões woodstoquianas, e o "baile" se tornou o "Festival de Águas Claras". Como outro “membro” da família Checchin (eu passava mais tempo na casa deles do que em minha própria casa), fiz de tudo um pouco na produção: fui atrás das bandas, ajudei a pintar faixas de rua, vendi ingressos antecipados aqui e acolá, mandei bala na divulgação, enfim, pintei & bordei naqueles dias, como mandava meu próprio figurino... Uma semana antes da abertura dos portões da fazenda, fomos resolutos pra lá e tentamos ultimar alguns detalhes que faltavam, que na verdade jamais terminavam de aparecer. "Será que vai vir alguém?", começamos a pensar entre nós, e na dúvida, ficamos sem dormir uns dias antes, pra não perder nada do que poderia acontecer... foi quando vimos os primeiros peregrinos chegando, rumo à Festa Prometida. Bem, foi aí que a ficha finalmente caiu, e logo as estradas principais e radiais estavam atulhadas de carros e todo o tipo de material humano. É, agora não dá pra voltar atrás, falávamos emocionados (e aterrorizados) com a evolução das coisas. Na 6a. feira à tarde a primeira banda a se apresentar foi a moçada da Orquestra Azul, e na madrugada da 2a. feira, se me lembro bem, o último show foi o do Terço, cuja tarefa hercúlea de encerrar uma maratona daquele naipe, foi muito bem desempenhada mostrando quem é bom faz ao vivo. Entre a primeira e a última banda, como esquecer o exótico buffet vegetariano do Antonio Peticov que alimentou nosso corpo e nossa alma; do big temporal que alguém vaticinou que ia, mas não foi; das peripécias do Arnaldo Baptista pela fazenda e sua antológica apresentação com a Patrulha do Espaço... sentado na platéia; da elegância do Terreno Baldio e dos charmosos arranjos do Moto Perpétuo; dos contagiantes Jazzco, Apokalypsis e Rock da Mortalha; da farra do Som Nosso de Cada Dia (alô alô Pedrinho Batera, onde quer que você esteja); dos times musicais Burmah, Mitra, Dan Rockabilly, Tony Osanah, Cogumelo (a banda) e tantas outras pérolas que subiram naquele histórico tablado. Depois de três dias de paz, amor & rock 'n' roll, tudo estava terminando como havia começado, ainda sem dormir e vários quilos a menos, nos reunimos na cozinha da fazenda para tomar um café e ali ficarmos, quietos, serenos, como templários satisfeitos com a descoberta do nosso Santo Graal particular. Olhei em volta e notei que se o Leivinha naquele momento, com as suas longas melenas e seu semblante crístico, começasse à elocubrar algo sobre outro festival, inapelavelmente nos levantaríamos e começaríamos tudo outra vez... bem, foi exatamente isso que fizemos em 81.